5/25/2010

Dói

Então tá bom. Eu acordo as seis horas, vou pra faculdade, saio correndo, as onze, pra trabalhar uma hora depois, num lugar longe dali. E trabalho. Até escurecer e fazer frio. Volto pra casa... Dele. Pra casa do Português burro.
Tomo banho e vou jantar. Os filhos dele discutem sobre o intercâmbio que vão fazer, sentados na mesa. Ele então pergunta como estão os estudos, o colégio, as paqueras e a vida. A deles está boa, com duzentos reais por dia e quatro línguas fluentes. E a minha vida, está corrida.
- Mas eu nunca te vejo ralando...

Então tá bom, seu Português imbecil. Eu não tiro nota alta nas provas, eu não trabalho aos sábados. Meus pais moram comigo, numa casa própia com jardim, e são felizes. Minha irmã mora comigo e é feliz. Eu nunca perdi nada. Eu nunca fui atrás de nada. Minha vida é fácil, gostosa. Compro coco ralado de pacotinho. É por isso você nunca me viu ralando...

Acho que você esqueceu seus óculos em cima da escrivaninha.