9/07/2010

Uni Duni Tê

Eu, antes de entrar no ônibus, deixei minha carteira cair. Não dava pra pegar todos os dez centavos e os bilhetes de cinema guardados.
-Pensa rápido, Nathalia, você vai pegar o que?
O Rg, não posso esquecer meu nome e origem, a chave da casa desse mês, e...

Eu cansei de ouvir sua voz me irritando porque alguém usou minha bota que eu esqueci na sua casa. Minhas botas furando meu próprio olho. Nossa, cara, que maldade, hein?! Agora vou sentar na escada de incêndio e chorar a noite inteira. E cortar meu pulso com a mini lixa de unha que eu tenho na minha bolsa - porque é a coisa mais perigosa que eu tenho lá. Depois eu vou me jogar no rio mais próximo, e quando eu perceber que a água está batendo na minha cintura e que tem merda boiando do meu lado, eu vou voltar pra casa, tomar um banho e ler uma revista de moda e comportamento, rir da Suzana Viera fingindo que pesca, mesmo não sabendo segurar uma vara, com aquele cabelo importado da índia e um namorado interesseiro e demente, que pega a velha mas gosta mesmo de dar o cu. Você deveria tentar o mesmo, pegar velhas e dar o cu parece interessante e promete um bom futuro.
Não que eu deseje isso agora, pra você. Você pode continuar comendo uma menina a cada duas horas, tudo bem. Mas isso ai... Não sei, me parece desespero. Cheguei no ponto certo. Inventar histórias, implorar beijos, precisar de companhia pra dormir - esse desespero é meu, mas você deve ter herdado de mim e eu ainda não sei - e o pior de tudo, fingir que ama. A gente se desespera.

Um, dois três, respira. Entrei no ônibus e deixei seu amor no chão.  E pensando bem... fiz bem. Sou mais feliz sem pensar em alguém, mesmo que isso nunca tenha acontecido.